Vitor Gamito, ciclista profissional entre 1993 e 2004, regressa à Volta a Portugal em bicicleta após 10 anos de interregno e com 44 anos de idade. Um desafio arrojado e que é relatado na primeira pessoa neste blogue e na sua página oficial de Facebook - www.facebook.com/gamito.vitor
domingo, 3 de agosto de 2014
Chuva, vento e frio!
Como prometido cá estou eu para vos falar um pouco da etapa de ontem. A primeira de 5 com chegada a coincidir com uma montanha. A segunda será já hoje, a mítica chegada ao Monte Farinha mais conhecida por Senhora da Graça em Mondim de Basto.
Ontem senti na pele e no osso uma daquelas etapas do Tour de France deste ano que assisti pela TV. Uma etapa com um percurso duro (5 montanhas), com chuva e vento quase do início ao fim dos 184 quilómetros! Tais eram as condições climatéricas que não houve imagens de helicóptero! Felizmente a temperatura era suportável até para mim que sou muito friorento. Onde sofri mais foi após terminada a etapa no alto da serra do Larouco, quando tivemos que fazer toda descida de bicicleta para ir ao local onde estavam estacionados os autocarros das equipas. Mesmo com bastante roupa vestida cheguei ao autocarro com as mãos congeladas e a bater o dente. Mas uma das vantagens da equipa ter autocarro é que podemos tomar de imediato um duche quente. A viagem até ao hotel em Chaves ainda demorou cerca de uma hora. Até lá deu para beber o habitual Fast Recovery e comer arroz doce. Pela primeira vez adormeci no autocarro!
Chegámos ao hotel já eram 19h30. A Ana (minha fisioterapeuta) já estava à minha espera para a massagem de recuperação. Esta massagem dura cerca de uma hora. Os meus músculos continuam impecáveis, têm recuperado bem dia após dia. O joelho, e mesmo com a chuva, tem-se portado bem.
Com os horários de chegada desta Volta a Portugal, nunca conseguimos começar a jantar antes das 21h00. Muitas vezes às 21h30. Ontem fui para a cama às 23h30 e mesmo assim ainda sentia o estômago cheio.
A única oportunidade que tenho para vos escrever estas crónicas é acordando um pouco mais cedo que os meus colegas. O despertador do meu colega de quarto – Daniel Freitas – toca por volta das 8h00-8h15, mas eu às 7h30-7h45 já estou acordado. E mesmo assim chego sempre um pouco atrasado ao pequeno-almoço, quando tenho dificuldade em parar de escrever (falar nisso o meu colega acaba de descer).
Digamos que quase não temos tempo de lazer durante a Volta. Não fosse a era dos smartphones, em que conseguimos estar em qualquer momento ligados ao mundo, pouco contacto teríamos com o “exterior”. Não parece muito bem, mas mesmo à mesa, entre o prato da sopa e o da massa, é já normal, entre dois dedos de conversa sobre estórias da etapa, estarmos agarrados ao telemóvel para vermos o que se passa no mundo digital.
Quanto às minhas sensações durante a etapa, senti-me relativamente bem. Alguma tensão sobretudo nas descidas, já que a chuva tornou o asfalto em manteiga. Houve muitas quedas, inclusive dois colegas meus (Hugo Sancho e Edgar Pinto). Neste aspecto passei incólume. Só não escapei foi ao ritmo imposto na entrada para a última montanha – Serra do Larouco.
Como não ambiciono nem estou em condições físicas para lutar por uma boa classificação – fazer 20º ou 80º tem o mesmo significado para mim - mal começou a subir, a faltar cerca de 8 quilómetros para a meta, descaí para um “grupeto” que ia num ritmo menos desconfortável. Entretanto também furei a roda da frente, mas era um furo muito pequeno e deu para terminar a etapa sem ter que trocar de roda. Mesmo com o nevoeiro, a chuva o vento e o frio, os adeptos não arredaram pé. E mesmo atrasado, foi impressionante os incentivos que recebi durante toda a subida! Os meus colegas de “grupeto” só comentavam esta situação e brincavam com ela.
Hoje temos pela frente uma das duas etapa mais duras desta Volta a Portugal. A chegada à mítica Sra. Graça. Será quase com toda a certeza a última vez que irei fazer esta subida em competição. Mesmo nos meus tempos áureos nunca me dei bem com esta subida. Talvez por ser demasiado curta para as minhas características e demasiado inclinada no último quilómetro.
Mas espero desfrutar desta subida como nunca desfrutei. Sentir a força dos milhares de adeptos que invadem o Monte Farinha.
Só não me peçam para parar em plena subida e fazer uma “selfie”. Senão ainda estou sujeito a chegar fora do controlo de tempo
Até já.
#ImpossibleIsNothing
sábado, 2 de agosto de 2014
"Qual Ronaldo!"
Qual Ronaldo!
Lousada, dia 31 de Julho, 11h30, uma hora antes da partida para a 1ª etapa da Volta a Portugal
“Gamito, podemos tirar uma foto?”,
“Bom Dia Vitor Gamito, o senhor pode fazer uma foto com os utentes do lar de idosos que vieram aqui de propósito para o ver?”
“Gamito podemos fazer uma selfie?”
“Vitor Gamito, pode tirar uma foto aqui com os meus filhos”
“Gamito pode assinar esta foto que fiz consigo em Águeda durante o prémio Abimota?”
....
Lousada, 12h30, tiro de partida para a primeira etapa
“Força Gamito!”, “Bora Gamito!”, “Gamito és um campeão!”, Vamos Vitor, vais conseguir!”, ....
Alto da Lixa, 13h30
“Muito bem Gamito!”, Bora Gamito!”, “Gamiiiitooo!!”, “Dá-lhe Gamito”, ....
Amarante, 13h50
“Força Gamito”, “Gamito é como o vinho do Porto!”, “Bora Gamito!”, “Gamito, Gamito!”, ...
Marco de Canavezes, 14h30
“Ganda Gamito!”, “Olha ali o Gamito!”, “É assim mesmo Gamito!”, ....
Penafiel, 15h20
“Força Gamito!”, “Bora Gamito!”, “Gamito és um campeão!”, “Estamos aqui Gamito!”, “Vitor Gamiiiitooo!”, ....
Lousada, 15h30
(idem)
Felgueiras, 15h50
(idem)
Penacova
(Idem)
Regilde, 16h00
Um ciclista da equipa espanhola Burgos para um colega: “?Hombre, quien es este Gamito?! !Parece Ronaldo!”
Acreditam que por mais que uma vez pensei que era eu que ia com a camisola amarela?
Terminada a etapa na Maia, dirigi-me de bicicleta para o autocarro da equipa que estava a cerca de 1000 metros. Terei demorado cerca de 30-40 minutos a chegar ao autocarro, tal foi a quantidade de fotos, “selfies” e autógrafos que dei durante o caminho! Depois demorei mais uns 20 minutos a conseguir entrar para dentro do autocarro e finalmente tomar um duche e alimentar-me. Se é cansativo? Nada! É um orgulho ser reconhecido e solicitado desta forma, mesmo não estando a discutir a vitória nesta Volta a Portugal.
Encaro como um agradecimento pela minha carreira desportiva. Isto sim é uma despedida condigna e fechar com chave de ouro os meus 30 anos de carreira!
Venham mais pedidos de fotos, selfies, autógrafos, eu aguento
Só vos peço que me enviem essas mesmas fotos por mensagem privada, aqui pelo Facebook. Gostaria de fazer um puzzle ainda maior que este.
OBRIGADO por me oferecerem esta despedida sonho!
#ImpossibleIsNothing
#VitorGamitonaVolta
Lousada, dia 31 de Julho, 11h30, uma hora antes da partida para a 1ª etapa da Volta a Portugal
“Gamito, podemos tirar uma foto?”,
“Bom Dia Vitor Gamito, o senhor pode fazer uma foto com os utentes do lar de idosos que vieram aqui de propósito para o ver?”
“Gamito podemos fazer uma selfie?”
“Vitor Gamito, pode tirar uma foto aqui com os meus filhos”
“Gamito pode assinar esta foto que fiz consigo em Águeda durante o prémio Abimota?”
....
Lousada, 12h30, tiro de partida para a primeira etapa
“Força Gamito!”, “Bora Gamito!”, “Gamito és um campeão!”, Vamos Vitor, vais conseguir!”, ....
Alto da Lixa, 13h30
“Muito bem Gamito!”, Bora Gamito!”, “Gamiiiitooo!!”, “Dá-lhe Gamito”, ....
Amarante, 13h50
“Força Gamito”, “Gamito é como o vinho do Porto!”, “Bora Gamito!”, “Gamito, Gamito!”, ...
Marco de Canavezes, 14h30
“Ganda Gamito!”, “Olha ali o Gamito!”, “É assim mesmo Gamito!”, ....
Penafiel, 15h20
“Força Gamito!”, “Bora Gamito!”, “Gamito és um campeão!”, “Estamos aqui Gamito!”, “Vitor Gamiiiitooo!”, ....
Lousada, 15h30
(idem)
Felgueiras, 15h50
(idem)
Penacova
(Idem)
Regilde, 16h00
Um ciclista da equipa espanhola Burgos para um colega: “?Hombre, quien es este Gamito?! !Parece Ronaldo!”
Acreditam que por mais que uma vez pensei que era eu que ia com a camisola amarela?
Terminada a etapa na Maia, dirigi-me de bicicleta para o autocarro da equipa que estava a cerca de 1000 metros. Terei demorado cerca de 30-40 minutos a chegar ao autocarro, tal foi a quantidade de fotos, “selfies” e autógrafos que dei durante o caminho! Depois demorei mais uns 20 minutos a conseguir entrar para dentro do autocarro e finalmente tomar um duche e alimentar-me. Se é cansativo? Nada! É um orgulho ser reconhecido e solicitado desta forma, mesmo não estando a discutir a vitória nesta Volta a Portugal.
Encaro como um agradecimento pela minha carreira desportiva. Isto sim é uma despedida condigna e fechar com chave de ouro os meus 30 anos de carreira!
Venham mais pedidos de fotos, selfies, autógrafos, eu aguento
Só vos peço que me enviem essas mesmas fotos por mensagem privada, aqui pelo Facebook. Gostaria de fazer um puzzle ainda maior que este.
OBRIGADO por me oferecerem esta despedida sonho!
#ImpossibleIsNothing
#VitorGamitonaVolta
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Volta da Consagração
A Volta a Portugal do meu regresso – 2ª etapa
Cada dia que passa a Volta fica cada vez mais intensa. E nem me estou a referir à velocidade dos ciclistas, mas sim à intensidade das emoções vividas e ao carinho do público. A etapa com partida em Gondomar e chegada a Braga foi mais um dia daqueles que há-de ficar gravada para sempre na minha memória, ao lado de outros dias também importantes da minha carreira, nomeadamente a chegada à Torre no ano que venci a Volta a Portugal, já lá vão 14 anos.
Bem, mas nesta crónica vou tentar não falar de emoções. Vou-vos falar da minha prestação física e uma das razões pela classificação ser tão modesta e estar já a mais de 6 minutos do primeiro classificado.
No meio de tantos elogios e incentivos, acabo sempre por receber mensagens menos positivas. “Já devias ter juízo”, “O teu lugar é em casa”, “Devias dar lugar a um ciclista mais novo e promissor”, “Já estás velho para estas coisas”, “Vais-te arrepender”, “Espero que saibas o erro que estás a cometer” – esta última foi dita por um ex-ciclista MUITO querido pelo público português há 2 dias, e etc., etc. Acreditem que mesmo eu que sou uma pessoa determinada e que encaixo muito bem as criticas “destrutivas”, muitas vezes fico a pensar que mal fiz eu, ou será que não devia ter ficado mesmo em casa! Mas depois quando chego ao local de partida de uma etapa, esqueço completamente estas criticas pois as palavras de incentivo são centenas de vezes superiores!
Além de determinado, sempre fui uma pessoa perfeccionista. Costumo dizer que até demais. Comecei a preparar esta minha participação na Volta, há cerca de 7 meses. E mesmo sabendo que nunca iria discutir os primeiros lugares da classificação geral, não pelo facto dos meus já 44 anos de idade, mas pelos 10 anos afastado e sem treino regular e consistente, treinei o melhor que sei, privei-me de muitos prazeres da vida e prejudiquei o tempo de qualidade com a família e mesmo o rendimento na minha atividade profissional.
Há medida que os meses de treinos iam passando, o meu rendimento físico foi melhorando consideravelmente, chegando a valores capazes de ambicionar fazer a tal “gracinha” que muitos me pedem que faça nesta minha última Volta a Portugal.
Sempre disse e continuo a dizer que não regressei a pensar em classificações, mas sim em desfrutar da minha última Volta sem pressões. Pressões estas que tive que conviver durante toda a minha carreira. Mas...claro que se me sentisse fisicamente bem, gostaria de oferecer a tal “gracinha” aos milhares de adeptos que me têm apoiado nesta minha aventura.
Só que nestes últimos 2 meses de preparação o meu corpo pregou-me uma pequena rasteira! Não conseguiu assimilar as cargas de treino que lhe dei o que originou uma quebra evidente no meu rendimento físico! Nestas últimas semanas antes da Volta ainda tentei remediar esta situação, fazendo apenas treinos muito suaves. Isto fez com que entrasse na Volta com falta de ritmo, mas na esperança que com o passar dos dias a forma física vá melhorando. Vamos aguardar
Para terminar este raciocínio, posso dizer que SE eu estou tivesse na mesma condição física que estava há cerca de 2 meses possivelmente estaria ainda nos primeiros 20 da classificação geral, e a vitória numa etapa poderia ser uma realidade. Mas como não estou, resta-me mesmo divertir-me, ajudar a LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS a vencer a Volta e retribuir sempre que possível o carinho do público.
Vou encarar esta Volta como a minha Volta da consagração de uma carreira de 30 anos
Ah, continuo a receber imensos “selfies” e fotos tiradas comigo antes e após as etapas. Continuem a enviar
Hoje será mais uma etapa duríssima, com chegada à Serra da Larouco – Montalegre.
#ImpossibleIsNothing
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Sejam felizes
Primeiro dia da 76ª Volta a Portugal
Tantas emoções e sensações que eu já não sentia há mais de 10 anos!
A reunião de trabalho com o director desportivo,
os preparativos para o contra-relógio,
as imensas fotos que tirei com adeptos, rever antigos colegas,
os inúmeros autógrafos para os colecionadores que percorrem o mundo à procura do ciclista que lhes falta,
o aquecimento para o crono,
a contagem decrescente “cinco, quatro, três, dois, um, partiu!!!”,
o público a gritar “Força Gamito!”,
a respiração ofegante,
ouvir as instruções do director desportivo via rádio como se de um co-piloto se tratasse,
as pernas a latejar,
o último quilómetro a parecer uma eternidade e eu dizer a mim mesmo enquanto olho para o meu cronometro a ver os segundos correr: “bora, só falta mais um pouco!”,
o speaker anunciar o meu nome no meio do barulho ensurdecedor da multidão,
os meus olhos desesperados à procura da linha de meta,
o alivio do término deste esforço violento,
o meu massagista a segurar-me de imediato para eu não cair para o lado,
a boca a saber a sangue,
a água fresca a descer-me pela garganta seca,
as entrevistas com um sorriso no lábios,
um beijo da minha filha também com um sorriso nos lábios.
Ela estava feliz, eu também.
Ontem fui muito feliz.
Classificação?! Excelente! O meu colega Edgar Pinto fez 5º lugar, foi o melhor português e está na discussão da vitória da Volta a Portugal. Querem mais?
...sejam felizes
#ImpossibleIsNothing
#VitorGamitonaVolta
Tantas emoções e sensações que eu já não sentia há mais de 10 anos!
A reunião de trabalho com o director desportivo,
os preparativos para o contra-relógio,
as imensas fotos que tirei com adeptos, rever antigos colegas,
os inúmeros autógrafos para os colecionadores que percorrem o mundo à procura do ciclista que lhes falta,
o aquecimento para o crono,
a contagem decrescente “cinco, quatro, três, dois, um, partiu!!!”,
o público a gritar “Força Gamito!”,
a respiração ofegante,
ouvir as instruções do director desportivo via rádio como se de um co-piloto se tratasse,
as pernas a latejar,
o último quilómetro a parecer uma eternidade e eu dizer a mim mesmo enquanto olho para o meu cronometro a ver os segundos correr: “bora, só falta mais um pouco!”,
o speaker anunciar o meu nome no meio do barulho ensurdecedor da multidão,
os meus olhos desesperados à procura da linha de meta,
o alivio do término deste esforço violento,
o meu massagista a segurar-me de imediato para eu não cair para o lado,
a boca a saber a sangue,
a água fresca a descer-me pela garganta seca,
as entrevistas com um sorriso no lábios,
um beijo da minha filha também com um sorriso nos lábios.
Ela estava feliz, eu também.
Ontem fui muito feliz.
Classificação?! Excelente! O meu colega Edgar Pinto fez 5º lugar, foi o melhor português e está na discussão da vitória da Volta a Portugal. Querem mais?
...sejam felizes
#ImpossibleIsNothing
#VitorGamitonaVolta
quarta-feira, 30 de julho de 2014
O início do fim
Hoje é o início do fim deste desafio, aventura ou loucura, como quiserem chamar. Fazer parte, mais uma vez e pela última vez, do pelotão da Volta a Portugal em bicicleta, e após 10 anos afastado da competição.
Muitos dizem que o aspecto mais importante e que poderá dificultar o concretizar deste meu sonho de chegar a Lisboa, será o facto de eu já ter 44 anos de idade. Pois eu digo que são mais os 10 anos que estive sem competir e arriscar fazer uma competição desta dureza com apenas 6 meses de preparação e 12 mil quilómetros nas pernas.
É um risco? Claro que sim. Mas é este risco e insegurança que me conferem a adrenalina e a garra para cerrar os dentes e dizer para mim mesmo: Eu vou conseguir!
Muitos seguidores, sobretudo os mais recentes e menos familiarizados com o ciclismo, têm-me colocado metas ou objectivos, como tão “simplesmente” vencer uma ou duas etapas, se for a da Torre melhor ainda, ou ficar nos 10 primeiros, e até vencer a Volta.
Mas dos cerca de 150 ciclistas que vão estar hoje na linha de partida, qual não gostaria?!
Sempre fui uma pessoa muito realista e consciente das minhas capacidades. Poderia aceitar e até “roubar” uma dessas metas para mim, mesmo com os meus 44 anos de idade! Mas não poderia ter estado afastado desta andanças tantos anos. A falta de ritmo, e a capacidade de recuperação tem sido mais que evidente nas competições que participei nestes últimos dois meses como preparação para a Volta. Por isso, continuo a dizer que o meu objectivo pessoal é chegar a Lisboa. Tão simples quanto isto! Dia a dia irei vendo como reage o meu físico.
Objectivos pessoais à parte, estou nesta Volta também com a missão de ajudar a LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS a vencer a Volta a Portugal, e por último mas não menos importante, COMUNICAR diariamente com todos vós. Espero terminar as etapas ainda com uma pontinha de energia para relatar como foi o meu dia e de toda a caravana da Volta.
Nunca são demais os agradecimentos que vos faça! Mais uma vez obrigado pelas milhares de mensagens de apoio que recebo a darem-me força. Irei com toda a certeza, nos momentos mais difíceis lembrar-me das mesmas.
Não percam a festa do ciclismo, hoje na RTP1 a partir das 16h00 (acho)
OBRIGADO
#ImpossibleIsNothing
#VitorGamitonaVolta com GoldNutrition, BIKE ZONE, Scott Portugal, Europcar Portugal, H2otel Congress & Medical SPA, BBB Cycling, Stages Power SA, Fisiotorres Lda, Shimano Cycling e GMTSports
domingo, 27 de julho de 2014
A Cereja
Um bolo festivo, regra geral, é constituído por uma base, uma cobertura, algumas vezes também por um recheio, e por fim leva uma decoração. Uma cereja por exemplo.
Poderia comparar esta minha aventura à confecção de um bolo. Os primeiros meses de preparação seriam a base do bolo. Uma base simples, apenas constituída por treinos, sem competições. A base do meu bolo teria ficado perfeita se não fosse a lesão em fevereiro que fez com que o bolo não tivesse crescido na perfeição. Saiu do forno um pouco torto. De forma a disfarçar essa imperfeição, tentei corrigir com a cobertura. Esta cobertura terá sido a segunda fase da preparação, a partir de Junho, onde comecei a participar em competições. Mas para endireitar o bolo abusei um pouco mais na cobertura!
O problema é que esse excesso de cobertura, em algumas zonas do bolo acabou por derramar! A base não se está a aguentar com tanta cobertura!
O que quero dizer com isto? Que para tentar recuperar o mês que estive sem treinar, por causa da lesão, terei forçado demasiado na segunda fase da minha preparação.
Nestas últimas semanas apercebi-me de alguns sintomas de sobrecarga de treino, nomeadamente quebra nos valores de potência (critical power), perturbações no sono e irritabilidade. Óbvio que o meu corpo já não reage nem recupera como o fazia há 10-15 anos atrás. E este equilíbrio entre carga e recuperação não é nada fácil de gerir sobretudo quando estamos 10 anos afastados de toda esta dinâmica!
Tinha previsto fazer, como último estágio, 6 dias de carga na Serra da Estrela. Mas por forma a tentar contrariar esta tendência para “overtraining”, reduzi os 6 dias de carga para apenas 2 dias intercalados com dias de recuperação, e desde que regressei da Estrela, na terça-feira, só tenho feito treinos muito suaves. Com isto tenho esperança que até Quarta-feira, dia do inicio da Volta a Portugal, esteja já recuperado das cargas que dei ao meu corpo durante estes últimos meses, cargas que ele já não estava habituado. Com tantos dias de treino suave, o mais provável será nas primeiras etapas sofrer por falta ritmo, mas prefiro isto a iniciar a Volta já cansado. Com a passagem dos dias espero ir melhorando.
Independentemente do bolo não estar perfeito, resta-me agora colocar a tal cereja em cima. A cereja é a minha participação na Volta a Portugal. Mesmo o bolo não estando tão bonito como eu desejaria, espero que pelo menos o sabor seja bom :)
Amanhã (Segunda-feira) viajo para o quartel general da minha equipa LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS, o “Paredes Hotel Apartamento”. Terça-feira será a apresentação das equipas em Fafe.
Durante a Volta a Portugal irei comunicar convosco numa frequência diária. Quero mostrar-vos os bastidores, partilhar os meus receios, as minhas dúvidas, as alegrias, por intermédio de uma crónica diária que irei colocar aqui e no meu Facebook (http://www.facebook.com/gamito.vitor). Irei também publicar alguns vídeos dos bastidores da minha equipa e da prova rainha nacional.
Por tudo isto, estejam atentos
#ImpossibleIsNothing #VitorGamitonaVolta
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Dorsal #21
Já foi anunciada a lista de pre-inscritos para a 76ª Volta a Portugal em bicicleta.
Surpresa minha, foi-me atribuído pelos responsáveis da LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS o primeiro dorsal da equipa - #21.
Uma honra, mas ao mesmo tempo uma responsabilidade.
Tudo farei para dignificar este dorsal.
#ImpossibleIsNothing
terça-feira, 15 de julho de 2014
"Não caíste filho?"
Faltam 15 dias para o início da Volta a Portugal em bicicleta. E se tudo correr dentro da normalidade, eu serei um dos ciclistas a compor o pelotão multicolor. Se há 8 meses atrás, quando anunciei esta minha aventura, haviam dúvidas e até desconfianças sobre esta minha intenção, julgo que neste momento já não restam muitas dúvidas.
O trabalho mais árduo está praticamente todo feito. Nestes 15 dias que faltam, a maioria será para recuperar destes últimos meses de treinos intensos e das competições que participei como parte da preparação para a Volta.
Mas é uma fase que me obriga a alguns cuidados e privações, sobretudo no que respeita à alimentação. Treinar menos significa obrigatoriamente ingerir menos calorias, ou seja, comer em menor quantidade. Para quem está habituado a gastar, e logo, a ingerir cerca de 4 a 7 mil calorias por dia, não vai ser uma tarefa fácil reduzir para 2.500-3.500 cal/dia!
É um contrassenso, mas às vezes prefiro treinar mais horas, pois assim também posso comer mais
E qual a minha condição física atual? O que serei capaz de fazer na Volta a Portugal?
Confesso que tinha previsto estar em melhor condição física neste momento. Há pouco mais de um mês atrás os números que retratam a minha performance física eram consideravelmente superiores (ver gráfico comparativo).
E o que é que correu mal então para que agora sejam piores? Possivelmente a minha ânsia de recuperar o tempo e a forma física que perdi com a lesão que me obrigou a parar durante todo o mês de fevereiro, me tenha levado a uma situação de fadiga prolongada. Um individuo com 44 anos não recupera tão bem quanto um de vinte e poucos anos. São teorias que sempre ouvimos falar, mas que só concordamos quando as sentimos na pele.
Mas nem tudo está perdido! Acredito que ainda seja possível rectificar este retrocesso na minha condição física. Tinha previsto um estágio de 6 dias na Serra da Estrela para afinar um pouco mais a minha condição física. Mas o mais sensato neste momento será fazer uma alteração no meu plano de treinos e reduzir este ciclo de carga para apenas 3 dias. Um destes dias coincidirá com a minha participação na Skyroad Granfondo Serra da Estrela – 19 de Julho. O resto será dedicado à recuperação. Dificil conseguir um local melhor para esta recuperação que o H2otel Congress & Medical SPA.
A minha experiência pessoal ensinou-me que: em caso de dúvida, é sempre preferível entrar na Volta com alguma falta de ritmo, que sobrecarregado de treinos.
Ah, e por favor, não me perguntem em que lugar fiquei nesta ou naquela competição! Já o disse várias vezes que não regressei em busca de classificações. Perguntem-me o mesmo que a minha mãe me perguntava quando, com 15 ou 16 anos de idade, eu chegava a casa depois de mais um fim-de-semana de prova: “Não caíste filho?”
#VitorGamitonaVolta #ImpossibleisNothing — com GmtSports Treino Desportivo.
sábado, 12 de julho de 2014
Novo manual "Regras básicas do pelotão"?!
Aproveitando mais uma noite de insónia deixo-vos aqui mais uma crónica.
Bem, tecnicamente não será bem uma insónia. Simplesmente ainda não consegui adaptar o meu fuso horário aos horários das competições nacionais. Desde que me lembro, a minha hora de despertar nunca foi depois das 8h00. As etapas nos anos 90, regra geral começavam por volta das 10h00-11h00, como a nossa regra é fazer a última refeição cerca de 3h-2h30 antes, significa que acordávamos por volta das 6h30-7h30. Em 2004 quando deixei a alta competição, comecei a despertar ainda mais cedo. Em 2005 e 2006 porque tinha à minha responsabilidade uma equipa profissional de ciclismo, a Riberalves/GoldNutrition (2005) e depois Riberalves/Alcobaça (2006). Nestes dois anos dormia em média cerca de 6 horas. Não havia tempo para mais!. Além de diretor desportivo, era o treinador de praticamente todos os ciclistas da equipa, e como se não bastasse, era o responsável pelo marketing e relações públicas da equipa. Mesmo assim, ainda arranjava tempo para treinar (corrida) cerca de uma hora todos os dias. O despertador tocava quase sempre às 6 da manhã.
Em 2007 achámos por bem ceder o patrocínio da marca Riberalves a uma outra equipa nacional – a Riberalves/Boavista. Assim fiquei bem mais liberto, pois era apenas o responsável pelo marketing e relações públicas desta equipa. Nesta fase entrei também para os quadros da GoldNutrition. Até então era apenas consultor desta marca nacional. Mas a minha hora de despertar não mudou muito, passou para as 7 da manhã.
Em 2008 deixei as funções em equipas de ciclismo e dediquei-me de corpo e alma à GoldNutrition e à GMTSports (treino de ciclistas). Isto não alterou em nada os meus hábitos no que respeita a horários. Deitar por volta da meia-noite e acordar às 7h00. Foi neste ano que comecei a fazer BTT com mais regularidade. Aproveitava os fins-de-semana livres, e por vezes durante a semana treinava nos rolos ao final da tarde.
Agora de repente tudo tem que mudar! As etapas nunca têm início antes das 11h00, aliás, a maioria só começa depois do meio-dia! Isto obriga a que eu tenha que dormir até às 9h00-10h00! Mas não consigo! Mesmo que me deite às 0h30, como ontem, ou melhor, como hoje, o meu alarme biológico toca o mais tardar às 7h30, quando não é antes! Será a velhice, ou será os muitos anos de rotina?!
Bem, assim sendo, resta-me aproveitar as duas horas que faltam até ao pequeno-almoço/almoço, que hoje está marcado para as 10h00, e fazer algo útil.
Neste momento estou na famosa, pelo menos para os ciclistas, Residencial Braga no Vimeiro. O Sr. Duarte, proprietário deste estabelecimento, é um grande adepto de ciclismo. Muitas equipas ficam instaladas nesta residencial, porque somos tratados como...futebolistas?! Brincadeira, somos sim tratados com MUITA simpatia a baixos preços, aspecto essencial para as equipas nacionais.
Falando do Troféu Joaquim Agostinho. Uma competição de 4 dias que se desenrola na região litoral oeste, estradas onde costumo treinar. Aliás, ontem passamos a 1000 metros de minha casa.
No primeiro dia, fizemos um contra-relógio individual de 7,5 quilómetros. Se fosse nos meus tempos áureos, teria disputado a vitória neste exercício. Aliás, tenho no meu palmarés duas vitórias em contra-relógios neste Troféu. Mas agora os tempos são outros, a disponibilidade física é bem menor, sobretudo nestes esforços mais curtos mas bem mais intensos. Terminei esta etapa num modesto 35º lugar. “Modesto” para aquilo que estava habituado. As minhas sensações durante o crono nem foram más e apliquei-me a 100%, não fui a passear. Mas o corpo não deu mesmo para mais! Terminei o contra-relógio com a “boca a saber a sangue”.
Ontem tivemos pela frente uma etapa com 170km e 2800 de subida acumulada. O meu quintal é tramado! Sempre muito ventoso e um terreno de sobe e desce constante! E as estradas estão em muito mau estado. Remendos no asfalto, tampas de esgoto desniveladas, bermas sujas ou muito baixas, enfim, imaginem um pelotão de 130 ciclistas a 40-60 à hora, muito nervoso, a rolar nestas estradas! O meu coração vai sempre nas mãos!
Em quase todas as competições que tenho participado, desde o mês passado, experimento novas sensações e situações. Ontem assisti a um embate entre Rússia e Colômbia. Não, não tem a ver com o mundial de futebol, mas sim com kickboxing. A determinado momento da etapa, dois ciclistas destas equipas pegaram-se literalmente, por causa da disputa de um reduzido espaço no pelotão! É verdade, um espaço na via pública. Mas sobre isto já vos explico. Bem, foi mesmo à minha frente. Primeiro começaram às cotoveladas, depois aos empurrões, até que o russo desequilibrou-se e mandou um valente trambolhão! Eu escapei por um triz. Isto tudo a 40km/h! Depois vieram os colegas russos a quererem ajustar contas com o colombiano, mas como não sabiam qual colombiano foi, começaram a pegar-se com todos eles! Até que eu e mais alguns ciclistas de outras equipas tivemos que colocar um ponto final nestas cenas pois estavam a colocar em perigo todo o pelotão. Dissemos para resolverem as divergências após finalizar a etapa. De qualquer forma, os comissários é que não se aperceberam destas situação, senão ambos os ciclistas teriam sido expulsos.
Bem, isto leva-me a um outro assunto. A luta por um espaço no pelotão. Esta é uma das diferenças em relação ao BTT. Os ciclistas de estrada são bem mais agressivos! Lutam afincadamente pela melhor colocação no pelotão, muitas vezes utilizam a técnica do toque para conseguirem a melhor. Ou dão um toque com a mão no rabo do ciclista para se desviar, ou muitas vezes é com o próprio guiador. Isto não é novidade de agora. No meu tempo já era assim, mas muito menos frequente! Agora parece uma moda. A desavença que relatei há pouco entre um russo e um colombiano, foi por isto mesmo. Os colombianos gostam muito de ...tocar e acham que têm prioridade sobre todos os outros ciclistas na escolha do melhor “spot” no pelotão. Os russos não gostam que lhes digam para se desviarem, e como tal partiram para a chapada.
Mas este desrespeito entre colegas de profissão não é exclusivo dos colombianos. Acontece o mesmo entre equipas portuguesas. Algumas acham que são mais importantes que outras e como tal têm lugar cativo nas zonas VIP do pelotão. E qual é a zona VIP de um pelotão. Bem, quando o percurso é sinuoso e perigoso, o melhor lugar é logo a seguir à equipa que estiver a puxar pelo pelotão, regra geral a equipa do camisola amarela. Nesta zona há menos probabilidades de quedas e o esforço físico e psíquico exigido é bem menor. Estas equipas que se acham VIPs ou com mais direitos que as outras demais, querem colocar TODOS os seus ciclistas atrás da equipa que vai a fazer as despesas da corrida, ou seja a puxar, não deixando sequer que algum ciclista de outra equipa se intrometa no meio de todos estes VIPs.
Volto a dizer, “no meu tempo” a única equipa considerada VIP era a do líder da prova, e o único ciclista prioritário era o camisola amarela. Estes tinham preferência. O resto do pelotão era tratado de igual forma.
Mas pelos vistos existe uma nova edição do manual “Regras do pelotão”, mas eu ainda não o li!
Bem, esta crónica já vai longa. Vou deixar a parte que fala sobre a minha condição física atual, e a minha prestação nesta prova para a crónica de amanhã.
Quero só aproveitar para dar mais uma vez os parabéns ao meu colega Edgar Pinto que venceu a etapa de ontem de forma brilhante, moralizando desta forma toda a equipa LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS. O Edgar é um dos favoritos à vitória na Volta a Portugal. Força Edgar!
E termino com a noticia que consegui mais um parceiro que me vai ajudar no apoio logístico à Volta a Portugal. Brevemente direi qual é.
Até amanhã
#VitorGamitonaVolta
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Troféu Joaquim Agostinho
Uma competição para ciclistas do escalão elite e sub-23, composta por 4 etapas (prólogo + 3 etapas em linha).
Durante a minha carreira de ciclista, terei participado nesta prova apenas 3-4 vezes. Por estar muito próximo da Volta a Portugal nunca se "encaixou" muito bem na minha preparação para a prova rainha. Aliás, como podem ver no meu palmarés (http://vitorgamitonavolta.blogspot.pt/p/palmares.html), sou daqueles que acha que "santos da casa não fazem milagres"! As vitórias que tenho neste grande prémio foram apenas em 2 contra-relógios e uma camisola azul (líder da montanha).
Mas este ano vou participar, pois é a única oportunidade que tenho para competir mais que 2 dias seguidos. Desde Junho, altura em que comecei a competir, só tem havido provas com 2 dias de duração. O Troféu Joaquim Agostinho será sobretudo um teste á minha capacidade de recuperação dia após dia. Conheço muito bem todas as etapas, pois estou a jogar "em casa". Todas as etapas são muito duras. Duas delas com chegadas em subida, e a terceira com um circuito final também ele muito difícil. Como se não bastasse, esta região - Litoral Oeste - é famosa pelo vento forte que se faz sentir dia sim, dia sim.
Os meus objetivos pessoais são em tudo semelhantes aos das provas anteriores. Treinar, sofrer, desfrutar, e ajudar os meus colegas da LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS mais capacitados a uma boa classificação. Não tenho qualquer ambição em termos de classificação!
Hoje disputa-se o contra-relógio. Com a extensão de 7,6km, tem inicio às 17h00 no centro de Torres Vedras e termina na avenida onde está a estátua de Joaquim Agostinho.
Todas a informação desta prova aqui >http://www.trofeujoaquimagostinho.com/
Mas agora de manhã ainda vou rodar a pretinha durante 1h30
Até já
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Quase no ponto!
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Campeonato Nacional de fundo - de rastos!
Já não me lembrava desta sensação. Quando o cansaço físico é tal que aproveitamos todo o tempo livre para fazer ...nada! Nem sequer pensar muito!
Terminei há 2 dias mais um ciclo de carga. Ciclo este que coincidiu com os campeonatos nacionais. Na Sexta-feira o de contra-relógio, e depois no Domingo o de fundo. Mas logo no dia seguinte (Segunda-feira), aproveitei o facto de estar próximo da Serra da Estrela e fiz mais um treino duro com passagem pelo alto da Torre. Na Terça-feira foi o último dia deste ciclo de carga, com um treino de 4h30 e 2500 metros de subida acumulada. Ontem e hoje estou de rastos! Sem energia, com dores musculares, e sem vontade de fazer o que quer que seja! Mas como me comprometi a escrever uma crónica sobre o fim-de-semana passado, aqui vai ela.
Em relação ao campeonato nacional de contra-relógio, está tudo dito, aqui >> http://on.fb.me/1xnvJLg.
Quanto ao Nacional de fundo ou estrada, como queiram chamar, deixo-vos agora o rescaldo possível.
O último campeonato nacional de fundo para a categoria elite em que participei foi em 2003. Sim, há 11 anos. Nunca fui um ciclista com resultados de destaque em provas de um dia. Durante todo o meu percurso desportivo, de 20 anos, apenas consegui uma medalha de prata em nacionais de fundo, tinha eu 15 anos. Tenho alguns títulos de campeão nacional, mas em disciplinas mais individuais, nomeadamente contra-relógio (3 titulos), perseguição em pista (2 títulos) e rampa (1 titulo).
Talvez por me faltar uma ponta final rápida, sempre encarei a minha participação em nacionais de fundo como um treino e como mais um elemento da equipa para ajudar colegas mais capacitados para conseguirem uma boa classificação. Uma boa classificação nesta prova significa ganhar uma das 3 medalhas em jogo. Os 3 primeiros é o que fica para a história da modalidade, todo o resto pouca importância tem.
A minha participação neste campeonato nacional de fundo regeu-se pelos mesmos objectivos. Fazer mais um bom treino e ajudar os meus colegas mais talhados para este tipo de competição.
O percurso escolhido para este ano era particularmente duro. Bem mais que os anteriores. Não que eu tivesse conhecido os dos anos anteriores, mas este foi um dos assuntos mais comentados no seio do pelotão elite. Aliás, só a percentagem de desistentes diz tudo. Em 62 elites que estiveram no tiro de partida, apenas 28 cumpriram os 201km de prova! Eu não fui um desses 28. Na última passagem pela meta (5ª volta) decidi encostar às boxes. Porquê? Porque tinha descolado do grupo dianteiro alguns quilómetros antes, e por isso já não iria fazer uma classificação de destaque, nem iria já servir de ajuda aos meus colegas que ainda seguiam na frente. Porque já tinha 170 quilómetros feitos, com 3200 metros de desnível acumulado, portanto já um treino muito bom e bem duro! Porque nos dois dias seguintes ainda tinha treinos muitos duros para cumprir. Não podia gastar todos os cartuchos num só dia.
O objetivo único continua a ser a Volta a Portugal. Todo o resto serve de preparação. É muito difícil, para não dizer impossível, estarmos em excelentes condições físicas nestas provas de fim-de-semana que antecedem a grandíssima e ao mesmo tempo colocarmos carga durante a semana com vista a prepararmos o corpo e a mente para os 11 dias que compõem a Volta a Portugal.
Neste momento para mim o mais importante é que, de competição em competição as minhas sensações estão a melhorar e eu sinto-me mais integrado nas movimentações do pelotão e da minha equipa. Não é fácil recuperar 10 anos de inatividade! A minha vontade é de treinar forte todos os dias, para tentar recuperar este tempo de atraso. Mas o corpo humano não funciona assim, e cada um tem os seus próprios limites. Tenho que escutar o meu corpo, e descansar quando ele me pede para descansar, senão corro o risco de deitar tudo a perder a tão pouco tempo de realizar este desafio.
Depois de uma semana de carga, tenho agora 3 dias de recuperação ativa (treinos suaves de 2 horas). Depois recomeço um novo ciclo de carga – será o último - que vai coincidir com o Troféu Joaquim Agostinho (10 a 13 Julho) e logo de seguida irei fazer mais um estágio na Serra da Estrela.
Quanto ao joelho que me atormentou durante uma boa parte da minha preparação, felizmente pouco já se faz sentir, excepto nos dias que apanho chuva ou frio a treinar.
Em relação ao meu peso, coloquei como objectivo entrar na Volta a Portugal com 66,5kg, neste momento estou com 67,5kg. Mas será possível perder ainda 1kg até ao dia 30 de Julho? Sinceramente, não vai ser nada fácil, sobretudo porque já só tenho 4,5% de massa gorda.
Este tem sido para mim a área mais difícil de suportar. Não são os treinos duros, não é a chuva ou o frio, não é o stress em competição, não são os muitos dias fora de casa, mas sim a dieta. Para quem gosta de comer, e beber, não é nada fácil esquecermos alguns dos alimentos que mais gostamos, muitos deles nada saudáveis diga-se, e reduzir a quantidade de outros.
Agora me lembro porque razão comi duas caixas de pastéis de Belém de uma enfiada, logo após terminar a Volta a Portugal que venci :)
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Campeonato Nacional de contra-relógio
Que dia! Que dureza!
Hoje fiz um teste à minha capacidade de resistência física e psíquica. Acho que consegui fazer tudo aquilo que não deveria ter feito num dia supostamente importante, como a disputa de um campeonato nacional de contra-relógio.
Ora vejamos, nos dois dias anteriores fiz treinos duros em vez de recuperar para o dia de hoje. Mas não poderia ser de outra forma, pois não me posso dar ao luxo de desperdiçar dias de treino.
Hoje de manhã fiz a viagem para o Sabugal. Acordei às 6h30, levaram-me de carro até á estação do Oriente (Lisboa), apanhei o comboio às 8h25 para a Covilhã, 3 horas e vinte minutos depois estava na Covilhã, entregaram-me a viatura de cortesia da Caetano Star, e fiz mais uma hora e 15 minutos de viagem até Alfaiates (Sabugal). Mas pelo caminho ainda fiz uma breve pausa para comer a massa que trouxe de casa. Foi este o meu almoço.
Às 13h40 cheguei à Residencial “O Pelicano” em Alfaiates, onde se encontra instalada a minha equipa LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS. Foi só o tempo de colocar a mala no quarto e preparar o equipamento para o crono. Ás 14h05 já estávamos a sair, no autocarro da equipa, para o Soito, local da partida e chegada do contra-relógio. Nesta altura ainda não sabíamos a ordem de partida e nem sequer tínhamos reconhecido o percurso! Normalmente reconhece-se o percurso duas vezes. A primeira de carro e uma segunda vez de bicicleta, por forma a escolhermos os melhores andamentos para o percurso em questão. Mas desta vez só houve tempo para fazermos o primeiro reconhecimento, pois quando chegámos da volta ao percurso a ordem de partida já estava afixada e verifiquei que seria o segundo ciclista a ir para a estrada. Bem, na prática acabei por ser o primeiro, já que o primeiro não compareceu!
Feitas as contas, tinha naquele momento, cerca de 45 minutos para me preparar e fazer o aquecimento. Já não dava para fazer o reconhecimento com bicicleta! Entretanto apareceu mais um contratempo. As medidas da minha bicicleta de contra-relógio não estavam regulamentares. Era necessário recuar os extensores cerca de 2 centímetros. A operação demorou cerca de 5 minutos, mas depois foi necessário levar de novo a bicicleta aos comissários para confirmarem as medidas. Com isto fiquei com cerca de 30 minutos para aquecer.
Pedalei 20 minutos nos rolos, e por último pedalei na estrada mais 5 minutos. Aquecimento escasso, mas foi o possível.
Às 16h01 estava a abrir o Campeonato Nacional de contra-relógio. Sem qualquer ciclista á minha frente para fazer de “ponto de mira”, foram 32 mil e duzentos metros muito duros de fazer! Num percurso de sobe e desce constante e com algum vento, nos meus tempos de ciclista “pro” seria um percurso perfeito para mim. Mas o Vitor Gamito de hoje não é o mesmo de há 14 anos atrás! Enquanto a estrada não empinava até me senti bem, mas nas subidas o meu ritmo quebrava muito. A distância deste crono já era considerável. 32km já exige muita gestão de esforço. Se começas demasiado forte, podes “morrer” a meio, mas se controlas demasiado, és apanhado por quem vem atrás. Esta gestão é muito complicada de ser feita.
Logo na primeira volta (eram duas no total) apercebi-me que não levava os andamentos mais adequados. A minha bike estava montada com os pratos 54 e 42, mas para este percurso o ideal seria 55-50 (ou 48). A descer o 54 era muito curto, e a subir os 42 era demasiado leve.
Sinceramente nunca pensei em fazer uma boa classificação neste crono. Mesmo que o dia de hoje não tivesse sido tão cansativo, não me posso esquecer que a minha idade e os 10 anos que tive afastado pesam muito, sobretudo nestes tipo de esforços mais curtos e intensos. Mas já que esta semana está na moda os “ses”.
SE tivesse vindo um dia mais cedo, SE tivesse reconhecido o percurso de bike, SE tivesse feito um aquecimento adequado, SE tivesse escolhido os andamentos ideais, possivelmente, em vez de 10º lugar teria feito 3 ou 4 lugares melhor. E isso iria alterar alguma coisa? Não. Nos Campeonatos Nacionais contam os 3 lugares do pódio. Por isso, hoje serviu sobretudo para fazer um bom treino de contra-relógio. Há 14 anos que não fazia um treino destes! Serviu também para me aperceber que tenho que melhorar nesta especialidade, a mesma que em tempos já fui o mais forte a nível nacional.
Apesar de todo o stress do dia de hoje adorei esta experiência. Parece que foi a primeira vez que fiz um Nacional de contra-relógio. O resultado foi o menos importante.
Agora há que recuperar o melhor possível, pois no Domingo tenho 201km de Campeonato Nacional de Estrada para cumprir. Será mais um duro treino, sem qualquer objectivo na classificação.
Obrigado a todos pelo apoio, e ao fotógrafo Nuno Veiga por estas fotos espetaculares.
Análise á condição fisica
Para aproveitar da melhor forma a viagem de comboio para a Covilhã, que neste momento estou a fazer, vou-vos falar um pouco da minha condição física atual. Este texto será melhor entendido por quem tem conhecimentos sobre treino para o ciclismo.
Como já todos devem saber, estou a preparar a minha participação em mais uma Volta a Portugal em bicicleta. Será sem qualquer dúvida, maior desafio desportivo da minha vida (até ao momento)!
Mas porquê, se eu já fiz 10 Voltas a Portugal?!
Muito simples. Porque estive afastado 10 anos da alta competição, porque já tenho 44 anos, porque só estou a treinar a tempo inteiro há cerca de 2 meses, e como se não bastasse, no inicio da minha preparação tive uma grave lesão num joelho que me obrigou a parar durante todo o mês de Fevereiro. Digamos que estão todas as condições reunidas para ser realmente uma grande loucura a minha participação na prova de ciclismo mais dura em solo português e "contra" a elite do ciclismo nacional!
Confesso que em Fevereiro, aquando da minha lesão, pensei em desistir deste desafio. Se em condições ótimas já seria difícil me apresentar na Volta num bom nível de forma, com a lesão o tempo de preparação ficou demasiado curto!
Não digo que não tenha já abortado alguns projectos, mas regra geral sou muito persistente e vou sempre até ao meu limite.
Dividi esta minha preparação em 3 fases:
1ª fase - Novembro a Abril: treino nas horas livres. Nesta fase tive que conciliar o meu trabalho na GoldNutrition com o treino. Basicamente aproveitei ao máximo os fim‑de‑semana livres para acumular horas de treino, e durante a semana treinava em rolos ao fim da tarde após o horário de trabalho. Em Abril, a empresa já me disponibilizou dois dias por semana para me dedicar ao treino. Nesta fase participei em alguns eventos de BTT, mas não fiz competições de estrada.
2ª fase - Maio: A partir deste mês fiquei totalmente disponível para me dedicar à preparação. Agradeço mais uma vez à GoldNutrition por esta oportunidade. Aproveitei ao máximo este mês para acumular horas em cima da bike. Fiz inclusive dois estágios na Serra da Estrela. Foi um mês muito duro! Mas também foi neste mês que consegui os melhores valores de performance (VO2máx e FTP).
3ª fase - Junho/Julho: No inicio de Junho tornei-me oficialmente ciclista da LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS. A 9 de Junho participei na primeira competição para elites, o Grande Prémio Abimota. Desde então fiz, GP Abimota, Taça de Oliveira de Azeméis, Volta a Albergaria e Gerês Granfondo, esta última uma prova para amadores.
Até Volta irei participar ainda no Nacional de crono (já hoje) e de estrada (no próximo Domingo), no Troféu Joaquim Agostinho (Torres Vedras) e por fim na SkyRoad Granfondo Serra da Estrela. Entretanto ainda faço mais um estágio na Serra da Estrela.
Com base nas minha sensações e valores fisiológicos, sobretudo do mês de Maio, acreditei que a minha adaptação às competições até poderia nem ser muito dolorosa. Nada mais errado! Logo no GP Abimota apercebi-me que esta tarefa iria ser ainda mais complicada do que eu imaginava. E olhem que eu até sou pessimista! Sofri imenso na etapa do Abimota. Também diga-se que dificilmente a etapa poderia ser mais dura. Até os ciclistas elites comentaram a dureza da etapa. De qualquer forma sofri como não me lembro de ter sofrido!
Esta situação deixou-me muitas dúvidas. Será que o nível do ciclismo elite atual é assim tão superior em relação às minhas capacidades físicas atuais? Será que são as variações constantes de ritmo, na primeira hora de prova, que me "matam" ao ponto de quando chegamos ás subidas já estou "morto"? Será que foi apenas um dia mau? Será que foi por não estar habituado a treinar á hora que decorreu a etapa (14h00-18h30)? Ou será que foi do calor repentino?
A única forma que eu conheço para conseguir responder a algumas destas questões é comparar dados. Neste caso teria que comparar dados de alguns treinos meus, os mais duros, com os dados meus em competição, e tentar chegar a alguma conclusão objectiva.
Para isso, nas duas provas seguintes - Taça de Oliveira de Azeméis e Gerês Granfondo - utilizei o meu potênciometro (roda traseira PowerTap). A prova da Taça foi disputada no Sábado seguinte, e á mesma hora do Abimota - 14h00. Consistiu em cerca de 150km, também eles muito duros, e em que a última dificuldade do dia foi a subida à famosa Serra da Freita. Seria um tira-teimas. Ver se as minhas sensações seriam tão más com foram no Abimota.
Ok, acabaram por ser ligeiramente melhores, mas mesmo assim não aguentei o ritmo do primeiro pelotão, no inicio da subida para a Freita. Fazia muito calor (+ de 35ºC), e o meu pulso ia muito alto. Mas pelo que deu para reparar nos dados de potência instantâneos, os valores não justificavam aquela minha dificuldade.
O resultado final desta minha participação, foi um 41ª lugar a cerca de 8 minutos do primeiro classificado. O prémio de consolação foi o facto de ter chegado junto com o vencedor da Volta a Portugal do ano passado - Alejandro Marque.
No dia seguinte, logo às 8h30 da manhã deu-se o tiro de partida para a Gerês Granfondo. Mais 160km com 3200 de subida acumulada. Estavam à partida 1600 ciclistas, a grande maioria amadores. Nesta prova voltei a levar potenciometro. A ideia seria depois cruzar informação de treinos meus anteriores com estas duas provas.
Neste evento senti-me bem melhor que no dia anterior. E por isso ficaram mais dúvidas! Será que foi por a concorrência ser inferior? Será que foi porque este Granfondo foi de manhã e a temperatura era mais agradável?
Estava bastante curioso para analisar todos os dados deste fim‑de‑semana.
Fiz uma tabela com os dos dados mais relevantes, e com base nesta tabela conseguimos tirar algumas conclusões.
A primeira, e talvez a mais importante, é que os valores de potência em treino são superiores ao valores que consegui em competição. Isto revela que a minha capacidade física atual está ao nivel do pelotão elite nacional. Mas por outro lado significa que algo de anormal se está a passar! Não é normal que a performance em treino seja superior à performance em competição!
Para não me alongar mais, as razões que podem estar a prejudicar a minha prestação em prova são:
a) Ou ainda não me adaptei aos horários tardios das competições
b) Ou estou com dificuldade de adaptação às temperaturas mais elevadas
c) Ou o meu corpo não está a recuperar bem da carga de treinos, e estou a precisar de mais intervalos de recuperação.
d) Ou as 3 razões atrás em simultâneo
Por via das dúvidas, comecei já a tentar solucionar as 3 razões atrás.
a) e b) Os meus treinos agora começam quase sempre às 11h00 e terminam por volta das 16h00
c) Levantei o pé na carga de treinos, sobretudo em volume, e vou fazer análises ao sangue para despistar uma eventual anemia.
Como vêem, a performance humana não é pura matemática, mas os números dão uma boa ajuda
#VitorGamitonaVolta com @GMTSports
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Campeonatos Nacionais
Amanhã irei estar presente em mais um Campeonato Nacional de Contra-relógio. Sinceramente já perdi a conta de quantos fiz! Mas pelas medalhas que tenho aqui na minha estante, parece que fui já 3 vezes Campeão Nacional desta especialidade, à qual chamam também de "prova da verdade".
Mas desta vez irei encarar esta participação simplesmente como treino. Aliás, todas as provas em que tenho participado durante este mês, servem unicamente como treino. Treino de adaptação aos ritmos impostos pelos profissionais, treino de adaptação aos horários em que as provas vão para a estrada.
Os nacionais este ano são no Sabugal. O contra-relógio terá inicio às 16h00, e teremos pela frente 32 mil e duzentos metros de esforço máximo em solitário. O último a ir para a estrada será Rui Costa, já que é o atual Campeão Nacional de contra-relógio.
No Domingo, também no Sabugal, será a vez de ir para a estrada o Campeonato Nacional de estrada, na distância de 201km. Será mais um treino duríssimo, em que o meu objectivo será simplesmente terminar.
Na segunda-feira já não há campeonatos, mas vou aproveitar o facto de estar muito próximo da Serra da Estrela para fazer mais um treino durinho
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