Vitor Gamito, ciclista profissional entre 1993 e 2004, regressa à Volta a Portugal em bicicleta após 10 anos de interregno e com 44 anos de idade. Um desafio arrojado e que é relatado na primeira pessoa neste blogue e na sua página oficial de Facebook - www.facebook.com/gamito.vitor
quarta-feira, 21 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Novo parceiro
Amigos, como sabem, o meu local preferido para treinar "à séria" é na Serra da Estrela. Quando quero preparar uma competição importante, faço no mínimo um estágio de 4-5 dias nesta serra. Este ano vou realizar 3 estágios com vista à preparação da Volta a Portugal.
O que é que esta conversa tem a ver com a foto anexa?
A Caetano Star -concessionário da Mercedes na Covilhã, e não só, disponibilizou-me uma carrinha Mercedes para sempre que estiver de estágio nesta zona. Desta forma, posso agora viajar comodamente de comboio, pois tenho na Covilhã à minha espera esta luxuosa viatura.
O meu sincero agradecimento à Caetano Star e ao Sr. Marco António, director comercial da Caetano Star, e um apaixonado por ciclismo.
www.caetanostar.pt
domingo, 4 de maio de 2014
Vai ou não vai?!
Vai ou não vai?!
Quando no dia 4 de Novembro do ano passado anunciei publicamente a minha intenção de participar na Volta a Portugal deste ano, sabia de antemão que isto iria gerar polémica, controvérsia, desconfiança e inclusive “bocas foleiras”. Mas estava preparado para tudo isto, pois sabia também que a percentagem de apoio e energias positivas seria muito superior. E assim tem acontecido.
Podia simplesmente ignorar e concentrar-me na minha preparação, mas prefiro manter-vos informados e esclarecer todas as vossas dúvidas. Não tenho nada a esconder e quero que se sintam como parte da minha preparação para a prova rainha do ciclismo nacional.
Assim, e indo por pontos.
Por mais de uma vez li comentários do tipo: “Ah, isto é tudo uma jogada de marketing. Ele depois arranja uma desculpa para não ir à Volta...”.
Claro que esta aventura TAMBÉM tem uma componente de marketing! Sem esta componente, este projeto não seria possível! Deixemo-nos de hipocrisias!
De que forma eu poderia retribuir a todas as marcas que me apoiam, e que me fornecem as condições ideais para que esta aventura seja um sucesso, a não ser através da comunicação e promoção das mesmas?! Comunicação esta que tem sido sempre feita de uma forma sincera e controlada.
De que forma eu poderia retribuir a flexibilidade de horários que a empresa para a qual trabalho me proporciona de modo a poder treinar convenientemente?!
De que forma eu poderia compensar a equipa que me acolheu e que me vai disponibilizar um lugar de forma a poder realizar o meu sonho?!
Meus caros, qualquer modalidade ou evento desportivo está repleto de marcas! Até quando simplesmente COMPRAMOS uma t-shirt da marca XPTO, vamos fazer publicidade à XPTO de forma gratuita. Aliás, ainda mais caricato, pagamos para fazer publicidade a essa mesma marca!
Li, por mais que uma vez: “Então mas se ele deixou o ciclismo há 10 anos por causa de um problema de coração, e agora diz que já está bom, é porque ele nunca teve nada! Possivelmente acusou doping e arranjou aquela desculpa do problema de saúde!”
Bem, até podia fazer algum sentido! Sobretudo para aqueles que não acompanharam o desenrolar dos acontecimentos naquela época.
Meu caros, mas todos os problemas de saúde são incuráveis?! Não pode, pura e simplesmente, com o passar do tempo, ter desaparecido o problema? De qualquer forma eu nunca disse que estava curado. O que posso garantir é que tenho o problema controlado.
Para quem ainda não sabe, no primeiro trimestre da temporada de 2004, num exame de rotina, foi-me diagnosticado um BAV (bloqueio aurículo-ventricular) de grau 3. Para confirmar esse diagnóstico repeti o mesmo exame por duas vezes num espaço de 2 meses, mas esse mesmo problema nunca mais me foi detectado!
Mesmo assim o centro de medicina desportiva não me deu mais como apto valendo-se sempre do resultado do primeiro exame. Desde aí tenho feito exames completos com regularidade e nunca mais me foi detectado esse bloqueio.
A explicação médica para o facto de nunca mais me terem sido detectados tais bloqueios terá a ver com a carga de treino. Se não abusar nas cargas, sobretudo em volume (número de horas semanais) terei o problema controlado. Assim, estabeleci por precaução, que não irei ultrapassar as 25 horas semanais de treino.
Quando era ciclista profissional cheguei a fazer cerca de 30-35 horas! Mas acredito que esta limitação de treino não irá prejudicar a minha preparação para a Volta.
Então, mas se o Centro de Medicina Desportiva deu-me como inapto para a prática da modalidade há 10 anos atrás, porque razão ele irá considerar-me agora apto?
E porque não? Se eu fizer (e já os fiz) todos os exames obrigatórios e passar em todos eles, acham justo que um exame com mais de 10 anos seja a razão de impedimento?!
Ninguém mais do que eu se preocupa com a minha saúde. Se eu visse que seria demasiado arriscado ficaria confortavelmente no meu sofá, a fazer zapping e a comer tremoços.
Agora, risco existe sempre, basta estar vivo!
"Então mas porque razão é que ele ainda não participou em nenhuma prova integrado na equipa que vai representar na Volta!? Não seria benéfico até para se habituar aos colegas e ao ritmo de competição!?"
Desde o início disse sempre que não tinha condições para fazer a temporada toda de ciclismo e que este projecto teria como objectivo unicamente uma competição - a Volta a Portugal. E porquê?
1° Porque tenho uma profissão e como é evidente não poderia estar um ano inteiro sem "picar o ponto". Competir em ciclismo elite exige dedicação total, é a tempo inteiro! Treinar 2 horas antes de ir para o escritório ou após um dia de trabalho não é suficiente. Para estar em condições mínimas de fazer a Volta a Portugal, a empresa para a qual trabalho, deu-me 3 meses de licença. Esta licença começou agora em Maio. Só a partir de agora estou dedicado a 100% à preparação para a Volta.
2° Participar em provas nesta fase implicaria que eu estivesse já inscrito na federação pela equipa LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS, obrigando está a cumprir com todas as obrigações regulamentadas, nomeadamente o pagamento de um salário, seguros, etc.
Além destes encargos ainda existe a questão da idade. As equipas do escalão continental - todas as portuguesas - têm que ter uma média de idade inferior a 28 anos. Ora eu, com 44 anos destabilizava completamente a média de idade da LA-Antarte. A solução nestes casos seria contratar mais um ciclista muito jovem. Mas mais um ciclista, mais encargos! Acabaria por me tornar num ciclista caro para o pouco que poderia competir! Então, optámos por fazer o que muitas equipas nacionais fazem. Inscreverem ciclistas a meio da temporada. Só que neste caso, ao contrário do que acontece na maioria das vezes, em vez de contratarem um ciclista estrangeiro de origem e qualidade muitas vezes duvidosa, estão a contratar um ciclista que apesar da idade já avançada, será garantidamente um valor acrescentado, não só para a equipa que o contracta, mas também para o espetáculo da Volta a Portugal e do ciclismo nacional.
Mas claro que existem requisitos e condições a cumprir. Algumas delas já foram satisfeitas. Por exemplo, já foi entregue na FPC, em tempo útil, uma declaração de intenção de participar em provas do calendário elite. Outros requisitos irão ser cumpridos no seu devido tempo.
Como vai a minha preparação física?
Como devem ter conhecimento, no inicio de fevereiro ressenti-me de uma queda que sofri na Brasil Ride em outubro do ano passado. Na altura não dei importância a uma ferida que fiz no joelho direito, mas com o aumentar da carga dos treinos, uma dor forte surgiu ao ponto de me obrigar a parar durante quase todo o mês de fevereiro. Nesta altura coloquei mesmo em causa a continuidade deste projecto! Mas felizmente rodeei-me de profissionais muito competentes, e em Março já pude recomeçar, de forma gradual, os treinos.
Neste momento já quase não sinto dor e estou a treinar sem limitações.
Como referi num parágrafo mais acima, até agora só tenho treinado a meio gás, já que tive que conciliar os horários de trabalho com os treinos. Foram 5 meses - e mais o de fevereiro sem treinar - muito desgastantes, quer a nível físico, como psíquico. Acordar muitas vezes às 6 da manhã para treinar, outras tantas a treinar depois de um dia no escritório não foi fácil! As recuperações foram lentas obrigando a que as cargas fossem mais espaçadas.
Amanhã tem inicio a segunda fase da preparação. Todo o tempo do mundo para treinar e recuperar. Será recordar os tempos de ciclista profissional.
O mês de maio será unicamente preenchido com treinos.
A partir de Junho já serei oficialmente ciclista da LA-Antarte e começo a representar esta equipa em todas as competições do calendário profissional, nomeadamente GP Abimota, Nacionais (estrada e crono), Troféu Joaquim Agostinho e Volta a Portugal.
"Mas será que ele pensa que chega à Volta e ganha?"
Não, não penso! Nunca foi esse o meu pensamento quando decidi em participar naquela que será a minha 11ª Volta a Portugal. Como já disse N vezes, quero apenas testar mais uma vez os meus limites, desfrutar dos 12 dias de prova de uma forma diferente, um pouco mais descontraída e sem a pressão da vitória.
Também me dará um prazer enorme se for uma peça importante na táctica da LA-Antarte para levar à vitória algum dos meus colegas bem mais preparados para vencer esta duríssima competição.
Posto tudo isto, e o texto já vai longo. A todos aqueles que têm criticado ou duvidado das minhas intenções, digo-vos: ARRANJEM UMA VIDA e deixem de viver a dos outros!
Para aqueles que me têm apoiado durante estes meses, o meu profundo agradecimento. O vosso apoio é fundamental para conseguir ultrapassar todas as barreiras que aparecem à minha frente.
Por último, mas não menos importante, o meu sincero agradecimento a todas as empresas e marcas que me têm apoiado, sem elas nem sequer teria começado.
O ciclismo a este nível é uma modalidade muito dispendiosa.
Agora, vamos ao trabalho que o tempo passa muito depressa.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
No bom caminho
Hoje foi dia de fazer o teste do algodão.
Dr. Custódio César fez avaliação da minha massa corporal.
Nada mau, atendendo a que ainda tenho 3 meses de preparação até à Volta a Portugal.
44 anos, 1,84mts, 68kg e 5,2% de massa gorda.
Objectivo: 66kg com 4% de MG. Siga o trabalho!
domingo, 30 de março de 2014
Algarve Bike Challenge
E terminou a Algarve Bike Challenge!
Competição em BTT de nível internacional, composta por um prólogo - 2,5km, e duas etapas - 91km e 76km. Um boa parte do percurso feita na serra algarvia.
Eu e o meu amigo e pupilo José Silva representámos a equipa GoldNutrition.
Quando iniciámos a prova, a nossa prestação possível era uma incógnita, pois apesar do José Silva estar numa condição física invejável, eu continuo a recuperar de uma lesão no joelho direito. Tudo iria depender do comportamento do meu joelho.
No prólogo não arriscámos nada, pois mesmo sem acelerar nunca dava para perder tempo importante. Eram apenas diferenças de segundos.
Ontem na primeira etapa, até ao km50, íamos num bom ritmo a lutar pelos primeiros lugares da classificação, mas depois veio a chuva e o frio e fomos obrigados a abrandar, pois o joelho começou a ressentir-se! Mesmo assim terminámos em 7º.
Hoje, para não voltar a sentir dor no joelho, levei-o tapado com uma joelheira, desta forma, mesmo que chovesse iria manter-se quente. Rodámos sempre com os primeiros classificados, pelo menos até ao quilómetro 60. Com este ritmo subiríamos ao quinto lugar, mas mais importante que a classificação, era o joelho estar a porta-se bem. Mas neste momento, uma dor forte começou a aparecer, e tivemos que largar o grupo onde seguíamos. A dor aumentou de tal forma que quase não conseguia pedalar! Os últimos 15km da etapa foram um suplicio! O Zé empurrava-me nas subidas e a descer parava de pedalar. Mas mesmo a 10km/h não fomos apanhados por nenhuma equipa, tal era a vantagem que levava o grupo onde seguíamos!
Quando vi a meta foi um alivio, mas por outro lado estava bastante preocupado com a situação do joelho! A dor não é no mesmo local. Parece ser um tendão na lateral externa. Imediatamente coloquei gelo e a dor diminuiu.
A conclusão que posso retirar deste fim‑de‑semana é que o joelho não está totalmente recuperado, e que o BTT prejudica-me bastante! Monta, desmonta, andar com a bicicleta às costas, não dão saúde aos joelhos! Decidi que não irei fazer mais BTT até regressar da Volta a Portugal. Infelizmente, porque adoro BTT, mas neste momento não é compatível com a minha preparação para a prova rainha do ciclismo nacional.
Os próximos dois ou 3 dias serão de recuperação e de tratamentos ao joelho. Depois regresso aos treinos exclusivamente em bike de estrada e reforço muscular.
Durante estes 3 dias de prova, fiz vários clips de video. Assim que tenha uma ligação à internet rápida, colocarei online
Obrigado a todos pelo apoio
domingo, 23 de março de 2014
Entrada de novo na rotina
Depois de um mês de Fevereiro para esquecer, tudo por causa de uma lesão no joelho direito provocada por uma queda na Brasil Ride, em Outubro do ano passado, finalmente os treinos começam a entrar nos eixos.
Nesta semana que terminou agora, tentei aproveitar da melhor forma as férias, para treinar e descansar. Deu para fazer 22 horas de treino e mais algumas de exercícios de fortalecimento e reabilitação.
De qualquer forma, preciso de treinar mais, muito mais, para me encontrar numa boa condição física no mês de Julho.
Esta semana regresso à rotina treino-escritório. O despertador começa de novo a tocar às 6h00. Ui, como vai custar!!
#nopainnognain #VitorGamitonaVolta
terça-feira, 4 de março de 2014
Degrau a degrau!
Degrau a degrau, com passos firmes, regresso a uma condição física já aceitável.
Hoje subi mais um degrau. Ultrapassei a barreira psicológica dos 100 quilómetros, mas o mais importante, sem dor.
Próximo degrau: treino superior a 4 horas
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Dúvidas!
Após 5 horas e meia, em 4 dias, a pedalar em jeito de teste ao joelho, em que praticamente não senti dor, já me sinto minimamente confiante para dizer que a lesão já está controlada e a desaparecer.
Que bom é sentir novamente o suor a escorrer pelo corpo!
Nestas últimas 3 semanas recorri a diferentes tratamentos e ouvi muitos conselhos e opiniões. O último tratamento, se é que se pode chamar assim, foram as bandas kinésio aplicadas de forma a puxar a rótula ligeiramente para cima. Por incrível que pareça, foi suficiente para deixar de sentir dor e já poder pedalar mais que 30 minutos.
Mas será isto solução ou é apenas estar a adiar o inevitável que é a cirurgia?
E se as bandas deixam de fazer efeito daqui a 2 ou 3 meses?!
Será que o simples facto de não estar a sentir dor significa que a lesão está mesmo debelada?
Será que vou conseguir treinar sem limitações daqui em diante sem correr o risco de de ter uma recaída?!
É que se for já operado (astroscopia) ainda há uma leve esperança de conseguir recuperar e treinar a tempo para a Volta, mas daqui a um mês em diante já será completamente impossível!
São dúvidas que neste momento me invadem o pensamento e uma decisão difícil de tomar!
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Um passo adiante
Mais um passo importante para que continue a acreditar que a Volta a Portugal ainda é possível!
Hoje consegui pedalar quase duas horas e sem dor! Que sensação incrível!
O trabalho de reabilitação vai continuar. Ao mesmo tempo vou aumentando muito gradualmente o tempo de treino.
"O que não me mata torna-me mais forte!"
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Teremos Vitor Gamito na Volta a Portugal?
Boa noite amigos,
Quero-vos colocar ao corrente do ponto de situação da minha lesão no joelho direito.
No dia 3 de Fevereiro resolvi aproveitar o percurso escritório - casa para fazer um treino. São cerca de 65km. Mas com apenas 40 minutos de caminho feito, começo a sentir uma dor ligeira no joelho direito. Não dou muita importância e continuo o treino. Passados 10 minutos, a dor já é tão intensa que sou obrigado a reduzir a velocidade. Com uma hora de treino, sou obrigado a ligar para casa para me irem buscar a meio do percurso, pois a dor era tal que era impossível continuar o treino.
Mantenho pensamento positivo e parto do principio que foi algum mau jeito que dei. Quando chego a casa coloco gelo.
No dia seguinte optei por descansar. No outro já experimento andar para ver se a dor aparecia de novo. Apareceu! Novamente por volta do minuto 40-45 de treino. Como estava ainda longe de casa, sou forçado a fazer mais 40-45 de treino, foi penoso chegar a casa! Coloco novamente gelo e ligo de imediato para um ortopedista de confiança - Dr. Pedro Barradas. Descrevo os sintomas, e o doutor diz-me que será uma inflamação na membrana sinovial - Sinovite. Um problema que já tive há dois anos atrás, no mesmo joelho, mas que a tratei com uma semana de repouso. Aconselhou-me a parar 5 dias, fazer gelo e tomar anti-inflamatório. Ao mesmo tempo comecei a fazer tratamentos de eletroterapia na Fisiotorres.
Passados esses 5 dias volto a testar o joelho. Desta vez nos rolos. Tudo igual! 40 minutos de exercício suave e a dor volta a aparecer! Começo a ficar desesperado.
Ligo novamente ao doutor e digo que o tratamento não está a surtir efeito. Peço-lhe um tratamento mais rápido. Optámos por infiltração intra-articular de anti-inflamatório. Regra geral é "tiro e queda".
Depois da infiltração, fiquei parado mais 3 dias para o tratamento fazer efeito.
Ao quarto dia, que coincidiu com a Resistência H2otel, volto a testar. Mas desta vez com a bike de BTT, pois parti do principio que esta inflamação fosse provocada por medidas incorrectas na nova bike de estrada ou dos sapatos. Faço uma volta ao circuito da prova, e não doeu nada! Começo a ficar animado. Mas como só demorei 35 minutos a fazer a volta, decido pedalar um pouco mais na estrada nacional. E não é que quando totalizo 45 minutos a pedalar a dor apareceu de novo?!
Será que haveria algo mais além da sinovite?
Para tira teimas fiz uma ressonância magnética ontem de manhã (quarta-feira). Deram os resultados ao final do dia, e hoje de manhã já estava na CUF Descobertas para que um imagiologista especialista em joelhos fizesse o diagnóstico da ressonância. Após uma manhã inteira neste hospital, dirigi-me para a CUF Infante Santo, já com o relatório, para mostrar ao dr. Pedro Barradas e saber a "sentença".
Confirma-se então a inflamação da plica (ou membrana) sinovial. Além disto, tenho também um pequeno quisto intercondiliano, mas parece que o problema não vem daqui.
Cartilagens, tendões, ligamentos, está tudo bem.
E o que é isto de plica sinovial?
Bem, não serei a melhor pessoa para explicar. Por isso deixo aqui um link como uma boa explicação http://bit.ly/1bqMnmh
Basicamente é uma prega da membrana sinovial. Há pessoas que nascem com ela, outras não. O destino deu-me este "presente". Que durante toda a minha carreira nunca se manifestou, mas que agora disse EU ESTOU AQUI, e provoco dor!
Portanto, ao contrário do que eu pensava, não tem a ver com medidas incorrectas das bicicletas, se bem que se o selim estiver baixo pode provocar problemas de joelhos, e também ao contrário do que muitos pensam, não tem a ver com a minha idade. A minha filha que tem 16 anos, e faz natação de competição, teve que ser operada, aos dois joelhos para retirar as plicas, pois já não suportava a dor nem a andar!
Portanto, isto terá tudo a ver com destino, ou sorte e azar!
Neste momento tenho duas possibilidades de tratamento, já que a infiltração parece não ter resolvido o problema.
1ª Intervenção cirúrgica (astroscopia) - implica uma paragem de 20 a 30 dias, colocando praticamente fora de hipótese a minha preparação para a Volta a Portugal;
2ª Utilização de uma joelheira corretora - A joelheira pode fazer com que a rótula não toque na plica inflamada durante o movimento da pedalada. Desta forma a plica irá desinflamar. Ao desinflamar torna-se menos espessa e portanto deixaria de tocar na rótula. Não é um tratamento 100% eficaz, mas será a tentativa para evitar a cirurgia.
Neste momento já tenho a joelheira. Ainda por cima uma topo de gama
Agradeço desde já à MEDI por me disponibilizar em tempo record uma joelheira da minha medida.
Amanhã será dia de novo teste. Pedalar com esta joelheira para ver se sinto menos dor.
Entretanto vou continuar os tratamentos de fisioterapia.
Resumindo:
Esta minha nova aventura de participar de novo na Volta a Portugal, está a começar bastante atribulada. E o mais caricato é que não é a idade que está a colocar entraves, mas sim o destino, ou o azar.
Teremos Vitor Gamito na Volta a Portugal?
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Desalento!
Hoje foi dia de teste.
Teste ao joelho direito que nestas duas últimas semanas tem-me dado cabo da cabeça!
Na semana passada, depois de 6 dias de repouso e outros tantos tratamentos de fisioterapia, fiz um primeiro teste para ver se tinha havido alguma melhoria. Nada! Tudo na mesma. Depois de 40 minutos a pedalar, a dor no joelho aparece e aumenta gradualmente.
Para não atrasar mais a minha preparação para a Volta, decido recorrer a um tratamento mais invasivo, mas que regra geral é rápido e eficaz - infiltração intra-articular com anti-inflamatório corticóide.
Prolongo a minha paragem por mais 3 dias, para que tratamento faça efeito e continuo com sessões de fisioterapia e muito gelo.
Feitas as contas, estive 14 dias sem praticamente pedalar.
Acreditem que não é fácil! Além da condição física regredir - não se esqueçam que já não sou um jovem - há ainda a dura tarefa de não engordar. E para quem gosta de comer como eu... É quase tortura psicológica!
Hoje testei mais uma vez o joelho. Como já estava inscrito há algum tempo na Resistência H2otel, aproveitei e vim até Unhais da Serra para desfrutar do magnífico hotel e ficar a conhecer o percurso deste evento. Para não forçar demasiado o joelho, a ideia era fazer apenas uma volta ao percurso, cerca de 7km e em seguida pedalar mais um pouco no asfalto para totalizar pelo menos 60 minutos de treino, já que a dor só costumava aparecer com 40-45 minutos de treino.
Fiz os 7km do circuito em ritmo muito suave, dando cerca de 35 minutos, sem qualquer dor. Estava animado. Em seguida fui para a estrada nacional. Assim que cheguei aos 40-45 minutos, a dor aparece novamente! Tudo na mesma! De imediato dei meia volta e regressei ao hotel. Pelo caminho passou-me muita coisa pela cabeça. Que o tempo já começa a ficar demasiado apertado para eu ficar na minha condição física ideal. Que o melhor é parar com esta ideia maluca de preparar a participação na Volta. Que vou ainda fazer mais uma tentativa para recuperar desta lesão e recomeçar os treinos.
Apesar de neste momento o desalento ser muito grande, amanhã irei falar com o médico para saber quais os próximos passos ou tratamentos alternativos.
Agradeço todo o apoio que me têm dado nestes últimos meses desta aventura.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Treinos nos rolos
O mau tempo destas últimas semanas leva os atletas quase ao desespero. Um atleta não poder treinar deverá ser semelhante a um fumador estar num espaço que seja proibido fumar. E digo "deverá", porque nunca fumei e não sei o que é ficar privado de uma droga como o tabaco.
Mas o exercício físico também pode ser considerado uma droga. Regra geral uma droga boa. O exercício físico liberta endorfina. Enzima que nos dá sensação de bem estar, diminui a ansiedade e o estresse.
Mas como todas as drogas, muitas vezes abusamos delas, não sabemos qual o limite ou a dose ideal. Talvez seja esta a razão porque nestas últimas semanas tenho lido barbaridades, para não chamar overdoses, aqui no Facebook.
"Hoje fiz 4 horas de rolos! Espetáculo!", "Ah, está mau tempo na rua e hoje tenho 5h de treino programado?! Faz-se nos rolos. Se está escrito, é para cumprir! Mai nada!",
"Pessoal, hoje aguentei 6 horas a pedalar na garagem. Alguém consegue mais?", e por aí adiante. O mais importante é "matar o vício".
Caramba, nunca ouviram dizer que pedalar tanto tempo sempre no mesmo sítio, numa situação com deficiente refrigeração corporal, e em que o nosso corpo permanece demasiado tempo na mesma posição é prejudicial, não só a nível físico como psíquico?! Desidratação, aquecimento articular e muscular, compressão do períneo e próstata (nos homens), estresse, ...
Uma hora de rolos não é equivalente a uma hora a pedalar no mato ou na estrada. Aliás, não existem fórmulas para equiparar estas duas situações. Nos meus tempos de ciclista, ouvia dizer que uma hora de rolos equivale a 3 horas na estrada. Em termos de benefícios fisiológicos não será assim tão linear, mas no que respeita a desgaste para o organismo, é bem provável.
Nos já 29 anos que tenho a pedalar, NUNCA fiz mais que 1h45 de rolos! E mesmo assim já considero abusar! E não é por isso que não obtive bons resultados.
Ok, sei de histórias de grandes nomes internacionais que chegaram a fazer 4-5 horas de rolos em situações extraordinárias. Laurent Jalabert (Once), uma vez que fraturou a clavícula, fez 5 horas de rolos, porque não quis alterar o seu plano de treinos. Mas ciclistas com a qualidade de Jalabert até se podem dar ao luxo de cometer, por vezes, estas barbaridades.
Mas felizmente ou infelizmente, Jalaberts não há muitos!
Esta é a minha opinião como treinador, e como atleta. Agora, cada um sabe de si
Bons treinos
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Ir à Lua e voltar
Comecei a pensar que o corpo humano é uma máquina quase perfeita. Pus-me a fazer contas aos meus 29 anos que já levo a pedalar, e muito por alto, terei cerca de 650.000 km percorridos em cima de uma bike (sem motor).
A distância da Terra à Lua são cerca de 384.000 km. Digamos que neste momento já teria pedalado até à Lua, e já estava a "apenas" 118.000 km de chegar novamente à Terra. Por este andar, ou pedalar, chegarei a Torres Vedras, daqui a 4 anos e meio
Já agora, estes quilómetros todos equivalem a cerca de 110 milhões e meio de pedaladas, ou seja, voltas de cada joelho meu! Não hão-de eles ás vezes queixarem-se!
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Lesão no joelho direito: paragem por alguns dias
O treino de 4h00 estipulado para hoje ficou limitado a 1h45!
O diagnóstico mais provável é uma sinovite (inflamação da membrana sinovial) no joelho direito.
Há cerca de 2 anos, quando preparava a minha participação naTransPortugal, apareceu-me também esta lesão. Ainda se pensou na possibilidade de cirurgia, mas uma paragem atempada, muito gelo, e nutrientes anti-inflamatórios, nomeadamente omega-3, Muscle Repair e extracto de curcuma, evitaram que isso viesse a acontecer.
Assim, irei repetir esta "receita" novamente. O que mais vai custar, será a paragem por uns dias. Quem é atleta e tem um objetivo em mente, sabe o quão doloroso é, psicologicamente, ter que parar o processo de treino!
Mas esta paragem não irá prejudicar demasiado a preparação para o meu objectivo principal este ano - a Volta a Portugal, pois ainda faltam 6 meses.
O que poderá ficar em risco, será alguns objectivos secundários sobretudo em BTT.
A ver vamos!
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Último dia de estágio de pré-temporada
Que dia!
Último dia de estágio com a LA-ANTARTE-ROTA DOS MÓVEIS. Mais um dia de muito frio e chuva. Em alguns momentos do treino sentimos na pele, ou mesmo, nos ossos os 3ºC da água que caía sobre nós!
Acabámos por encurtar o treino por alguns quilómetros, pois o nosso estado já era quase de hipotermia. A meio do treino tive que trocar de luvas, mas ao puxar as luvas estava a puxar também os dedos e nem os sentia!
Felizmente já tomei duche de água bem quente e já estou a recuperar no quarto.
Terminou assim mais um estágio da equipa que vou representar na Volta a Portugal em bicicleta. Os meus colegas vão continuar a sua preparação diária para a primeira prova do calendário nacional - Volta ao Algarve, e eu regresso á minha rotina de ciclista amador - treinar nos dias e horas possíveis.
Amanhã já não vai ser possível treinar, pois estou a representar aGoldNutrition no Trail de Santa Iria, em Brânzelo (Gondomar).
O meu próximo treino, possivelmente será nos rolos no final da tarde de terça-feira depois de sair do escritório
Mais uma vez quero agradecer a força e a motivação que me têm dado. Sem ela, esta missão de preparar a minha participação na prova rainha nacional, seria impossível!
#nopainnogain #VitorGamitonaVolta
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